A história da Caminhada do João Jiló

No corrente ano de 2010 a Caminhada do João Jiló ocorreu no dia 02 de abril (Sexta-Feira Santa). Encontrei o texto abaixo, que foi publicado em 2007 em alguns portais de Bom Despacho. Achei interessante colocá-lo aqui, para conhecimento de quem quiser saber a origem da Caminhada do João Jiló, que ocorre todos os anos na Sexta-Feira da Paixão. Este ano fizemos a 6ª (sexta) edição da Caminhada. Quem participou gostou.
Quero destacar que quando o texto abaixo foi publicado o Sérgio Cabral, meu irmão protestou, afirmando que o seu cachorro (dog alemão, ver na história) não pesava somente 30 Kg, mas sim cerca de 70 Kg (setenta quilogramas). Eu não imaginava que um cachorro podia pesar tanto.
BENÍCIO – Divinópolis, 13/04/2010

A CAMINHADA DO JOÃO JILÓ

A Caminhada do João Jiló, que agora estamos
realizando todos os anos, na sexta-feira da Paixão, começou por mero acaso.
Nós, irmãos e parentes, da Família Cabral, de Bom Despacho, sempre gostamos de
praticar diversos tipos de esporte, em particular corridas e caminhadas, como
tributo à saúde do corpo e do espírito.

Temos participado da Corrida de São
Silvestre, desde 2000 (onde já levamos uma faixa com o nome de Bom Despacho),
da Volta da Pampulha, desde a 2ª versão, da Corrida dos Carteiros, da Corrida
da Nextel, Caminhada da Inconfidência, Aniversário de Bom Despacho, Corrida da
Tabatinga e outras.

Morando em Belo Horizonte, vou sempre a Bom
Despacho, com minha mulher e minhas filhas, especialmente nos feriados. Dois
anos atrás estávamos em Bom Despacho na Semana Santa. Eu já conhecia, de mais tempo,
o atual trajeto da Caminhada, que por ignorância minha e confusão mnemônica, eu
estava certo que era de cerca de 10 quilômetros, ou seja, uma distância ótima para
uma caminhada sem compromisso. Convidei os meus parentes para fazermos essa
caminhada, a fim de aproveitar bem o feriado. No fim das contas, fomos apenas o
Sérgio, meu irmão, a Ordália, minha mulher e eu.

Ocorre que o Sérgio tinha na época um cachorro
da raça “dog alemão” e decidiu levar o cachorro. Esse cachorro não tinha
costume de caminhar, pois era cachorro criado em canil. Depois de poucos
quilômetros de caminhada o cachorro já começava a dar sinais de cansaço.
Tivemos que parar por causa do cachorro. Ao passar por uma fazenda um empregado
fez a gentileza de arranjar um balde e uma mangueira de água. Prosseguimos, mas
já com dificuldades.

Mais tarde começou a chover e, pelo tempo
transcorrido, percebemos que já havíamos andado mais de 10 quilômetros. Pensei
que havia me perdido e começamos a procurar o caminho de retorno. E
prosseguíamos na estrada e nada de retorno (posteriormente percebemos que o
retorno era muito mais longe e mais longo do que eu imaginava).

Aí começaram as bolhas nos pés, acabou nossa
água potável, o cachorro não sabia beber água de poça e nem de riacho e o pior:
ao chegarmos à ponte ele, de medo, se recusou a cruzá-la. E também não entrava no
riacho. O Sérgio foi então obrigado a carregar nos braços um cachorro enorme,
que devia pesar mais de 30 quilogramas, por dentro do riacho, com água até
quase até a cintura.

Mais ou menos por aí alguém se lembrou que
era Sexta-Feira Santa e que, pela história do João Jiló, não se podia realizar
obra nenhuma nesse dia. Daí para frente todos os reveses e dificuldades que
passamos até chegarmos em casa (e demorou muito…) debitamos à triste maldição
do João Jiló.

Para quem não conhece ou não se lembra do
João Jiló, quero informar que fui alfabetizado por meio da linda coleção “As
Mais Belas Histórias”. Lembro-me emocionado das histórias contidas naqueles
livros. Cada história mais linda que a outra. Todas com fundo educativo. Tinha o
Epaminondas, o Afilhado do Diabo, o Velho, o Menino e o Burro e, claro, a
história do João Jiló.

O João Jiló resolveu, contra todos os bons
conselhos da vizinhança, ir caçar na Sexta-Feira Santa. Como era de se esperar,
tudo deu errado na caçada do João Jiló. Mas ele insistia. Por fim conseguiu
caçar um galo. O João Jiló atirava e o galo gritava: “dói, dói, dói, João
Jiló”. O João Jiló levou o galo para casa, e ao escaldá-lo e depená-lo ele
gritava: “dói, dói, dói, João Jiló”.

Quando tentou cozinhar o galo, o bichinho,
todo depenado, saiu voando e gritando: “dói, dói, dói, João Jiló”. Ele voou até
a cúpula do altar-mor da Igreja da Matriz e lá pousou. Até hoje está lá. E
quando vai chover ele gira e aponta para o norte.

No ano passado estávamos novamente em Bom
Despacho na Semana Santa. Juntamos uma turma bem maior, de mais de dez pessoas
e fomos fazer a agora batizada Caminhada do João Jiló. Já tínhamos a verdadeira
medida, de 22 Km, tomada pelo Sérgio, com velocímetro de motocicleta. Todos adoraram
o passeio, sendo que algumas das meninas pediram socorro pelo celular, depois
de passarem pelo Cemitério dos Alemães, o que equivale a mais de 15 Km de
caminhada.

Daí decidimos fazer a Caminhada do João Jiló
todos os anos, na Sexta-Feira da Paixão. Não é preciso dizer que caminhar e
fazer outras atividades físicas é essencial para uma melhor qualidade de vida.
Já ficaram para trás aqueles tempos que se pensava que atividade física era
coisa para atleta.

Este ano a Sexta-Feira da Paixão cairá no dia
6 de abril. Sairemos do “S” da Praça da Matriz (em frente à Casa Paroquial), às
8:30h. Como vamos caminhar lentamente, pela heterogeneidade do grupo,
calculamos umas 5 horas de caminhada, desde a saída até a chegada, no mesmo
ponto.

 

Belo Horizonte, 21 de março de 2007.

BENÍCIO CABRAL

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Uma resposta para A história da Caminhada do João Jiló

  1. Rose disse:

    Muito bacana tempo saudoso de quando fui alfabetizada por meio dstas historias.A gora que estou concluindo o ensino superior venho a me lembrar.Parabéns por sua iniciativa.

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