O ESTADO NO ESTADO – Por que os Funcionários Públicos são indolentes?

a – ÍNDICE – O Estado no Estado b – Prefácio – O Estado no Estado Capítulo I – O Estado no Estado Capítulo II – O Método de Assimilação das Normas Pressupostas Capítulo III – Dura Lex Sed Lex Capítulo IV – Os Chefe ad nutum Capítulo IX – Conclusão Capítulo V – A Corrupção e o Estado de Fato Capítulo VI – A Farsa das Corregedorias Capítulo VII – A Carteirada Capítulo VIII – O Poder Econômico e o Poder Político d – Bibliografia de O Estado no Estado

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O Importante é Competir, será?

O IMPORTANTE É COMPETIR, SERÁ?

O Barão de Coubertin, fundador das Olimpíadas dos tempos modernos, forjou a frase “o importante é competir”, depois de ouvir uma frase semelhante proferida por um Bispo em uma missa. A verdade é que essa frase nunca foi levada a sério pela grande maioria das pessoas, infelizmente. E devia.

O certo é que o importante não é competir, é ganhar a qualquer custo. Mas este texto não tem como escopo discutir a filosofia por trás da frase. Fica para outra oportunidade. Quero apenas provar, de maneira chã, que a forma como os organizadores das Olimpíadas, os jornalistas, os comentaristas esportivos e até mesmo os dirigentes políticos se referem aos jogos e ademais, aí que vem o busílis, a maneira como sistematizam o ranking, provam, comprovam e ratificam que o importante é ganhar. Ou melhor, só importa ganhar.

Volto a dizer que discordo disso com firmeza e tristeza e afirmo que a humanidade só tem a perder com essa filosofia elitista, que reina soberba. São muitas as consequências nefastas, porém vou citar, como exemplo, apenas a dopagem (o dopping), que é a consequência mais conhecida do “importante é vencer”.

Para começar, existe uma valorização excessiva, exacerbada do ouro. Não apenas não dou tanta importância ao ouro, ou melhor, dou a mesmíssima importância à prata e ao bronze quanto ao ouro, como digo mais. Deveriam existir pelo menos mais duas medalhas, quem sabe de chumbo e lata, ou coisa que o valha, já que pouco colabora minha ignorância em metalurgia. Dar maior destaque a três atletas, que sobem no pódio, é bom, entretanto dar maior destaque a cinco, com um pódio maior, é muito melhor. E não só é melhor, como de fato todos eles merecem.

Insisto que não existem diferenças entre os atletas que ganham o ouro, a prata e o bronze. Estão todos no mesmo patamar. Em termos esportivos, são todos a mesma coisa. Não é preciso muito esforço para provar a validade do meu ponto de vista. Qual a diferença de tempo entre os corredores dos 100 metros rasos? Qual a diferença de tempo dos atletas das provas de natação? Qual a diferença de pontos entre atiradores? Qual a diferença de distância ou altura entre saltadores? e por aí vai.

Mais importante do que isso, por maior que pudesse, em tese, ser a diferença entre os atletas do ouro, prata e bronze, e não é, mais importante é que todos se esforçaram muito, todos trabalharam muito. Isso é bom.

Desde logo, para que não surjam equívocos, não estou defendendo que acabem com as diferenciações de medalhas. Não, longe disso. O ouro deve ser sempre o escopo de todo atleta. Como em tudo na vida, se não existir uma meta distante, difícil, o homem, o ser humano, tende a se acomodar. Isso não é bom. A emulação existente na busca do ouro leva à melhora constante. Isso é bom, desde que não se torne a busca da vitória a qualquer custo, sem Ética, sem preocupação com a saúde e com a integridade física e moral do atleta.

Acima falei do ranking. É disso que quero tratar. A forma de sistematizar o ranking, feito pelo próprio COI, é estúpido e se baseia nessa sobrevalorização do ouro olímpico, causando verdadeiros aleijões. Antes de demonstrar, gostaria de perguntar se é melhor um país que tem um único esporte e é o melhor nele ou outro país que tem muitos esportes e é bom em todos eles, porém não é melhor em nenhum? A resposta, para mim, é óbvia. A própria existência de raças diferentes, biotipos diferentes, idades diferentes e tudo mais que corresponde à humanidade, já prova que ter muitos esportes é sempre muito melhor do que ter um só.

Nem todo mundo pode ser um Pelé, ou Neymar, mas sempre vai existir um esporte que atende a uma compleição física particular, uma altura particular, um interesse particular. Isso é bom e para mim essa é a essência do esporte. O esporte deve promover a melhora do ser humano, em todos os aspectos, principalmente no físico, porém com alegria, satisfação pessoal, realização. Como dizia minha mãe, se todos gostassem do azul, que seria do vermelho?

Mas vamos ao ranking olímpico. De acordo com o COI, a classificação dos países nas Olimpíadas se dá, primeiramente, pela contagem das medalhas de ouro, em seguida vem a contagem das de prata e por último das de bronze. Isso quer dizer que o ouro tem valor absoluto e a prata semi-absoluto, pode-se dizer. Dessa forma, se um país tem uma única medalha, de ouro, ele está na frente de todos os demais que tenham 20, 30, 40, 100 medalhas, mas não de ouro. Observe-se a deformação, o aleijão, que a valorização exacerbada do ouro causa. Essa formatação é de uma estupidez megatérica.

Dentro da visão de que o importante é competir, o ranking tem que se dar pela quantidade de medalhas e não pela sua cor. É evidente que os países que estão competindo mais, têm mais medalhas. Dessa forma, a cor da medalha, o seu metal, deverá servir apenas para desempatar e nunca para definir posições no ranking. Assim, se um país obtém uma medalha de ouro e outro país obtém duas medalhas de bronze, o segundo está na frente do primeiro. Se o país A tem uma de ouro, o país B tem duas medalhas de prata e o país C tem três medalhas de bronze, então o ranking é C em primeiro, B em segundo e A em último.

Definida essa forma correta e esportiva de decidir o ranking olímpico, fica uma dificuldade matemática. Como decidir os desempates, já que são muitos países e muitas medalhas, o que pode levar a incontáveis combinações. A única saída é, então, estabelecer pesos distintos para as medalhas e calcular um valor ponderado acumulado. O que se propõe é que a medalha de ouro tem peso 1,002 (um vírgula dois milésimos), a medalha de prata tem peso 1,001 (um vírgula um milésimo) e a medalha de bronze tem peso 1,0 (um inteiro).

Esses pesos não foram obtidos aleatoriamente, mas sim buscando a racionalidade apontada mais acima. Vejam que a fórmula busca uma situação, dentro do limite de medalhas possíveis, na qual o país que tiver maior número de medalhas, independentemente do metal, fica em primeiro, o que tiver o segundo maior número em segundo e assim sucessivamente. Só que os pesos diferenciados, possibilitarão os desempates, com maior número de pontos para quem tem mais medalhas de ouro e, sucessivamente, mais medalhas de prata. Essa é a formatação do ranking mais justa e que de fato representa o espírito do “o importante é competir”.

Vejamos a tabela oficial das Olimpíadas de Londres/2012, até a posição do Brasil (oficialmente 22º lugar):

tabela-olimpiadas-londres-2012

Agora observemos a mesma tabela, desta vez adaptada para o novo sistema de ranking por mim proposto no presente artigo:

 

Posição País Ouro Prata Bronze Peso Ouro Peso Prata Peso Bronze Qde Medalhas Pontuação
ESTADOS UNIDOS 46 29 29 46,092 29,029 29 104 104,121
CHINA 38 27 22 38,076 27,027 22 87 87,103
RÚSSIA 24 25 33 24,048 25,025 33 82 82,073
GRÃ-BRETANHA 29 17 19 29,058 17,017 19 65 65,075
ALEMANHA 11 19 14 11,022 19,019 14 44 44,041
JAPÃO 7 14 17 7,014 14,014 17 38 38,028
AUSTRÁLIA 7 16 12 7,014 16,016 12 35 35,03
FRANÇA 11 11 12 11,022 11,011 12 34 34,033
COREIA DO SUL 13 8 7 13,026 8,008 7 28 28,034
10º ITÁLIA 8 9 11 8,016 9,009 11 28 28,025
11º HOLANDA 6 6 8 6,012 6,006 8 20 20,018
12º UCRÂNIA 6 5 9 6,012 5,005 9 20 20,017
13º HUNGRIA 8 4 5 8,016 4,004 5 17 17,02
14º ESPANHA 3 10 4 3,006 10,01 4 17 17,016
15º BRASIL 3 5 9 3,006 5,005 9 17 17,011
16º NOVA ZELÂNDIA 6 3 5 6,012 3,003 5 14 14,015
17º CUBA 5 3 6 5,01 3,003 6 14 14,013
18º CAZAQUISTÃO 7 1 5 7,014 1,001 5 13 13,015
19º IRÃ 4 5 3 4,008 5,005 3 12 12,013
20º JAMAICA 4 4 4 4,008 4,004 4 12 12,012
21º REPÚBLIC TCHECA 4 3 3 4,008 3,003 3 10 10,011
22º COREIA NORTE 4 0 2 4,008 0 2 6 6,008

 

Observem como os países mudam de posição. O Brasil, por exemplo, sobe sete posições, do 22º lugar para o 15º. A Coreia do Sul cai do 5º para o 9º lugar. A Rússia passa a Grã-Bretanha e o Japão sobe do 11º para o 6º lugar. Portanto, se em tese algum país tivesse ganhado 105 bronzes e nenhum ouro e nenhuma prata, estaria em primeiro lugar, na frente dos EUA. Isso é o correto, pois esse seria o país mais esportista do mundo, sem sombra de dúvida.

Com esse ranking correto nós fazemos o justo reconhecimento de que o importante é competir, sempre tentando ganhar o ouro.

Divinópolis, 08/08/2016

BENÍCIO CABRAL

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O Cuete que caxô imbuete dos viriango

Para abrir a história, clique no link abaixo. Para traduzir, caso você não conheça a Língua da Tabatinga, entre no glossário que se encontra postado neste blog.

O cuete que caxô imbuete dos viriango

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A Língua da Tabatinga

Vocabulário da Língua da Tabatinga, também chamada de Língua da Tabaca ou Língua dos Cuete.

Para conhecer o vocabulário (glossário), clique no link (remissão) abaixo:

Língua da Tabatinga

Trata-se de uma língua-franca que restou do tempo da escravidão, que era falada, até meados dos anos 1970, no Bairro da Tabatinga, em Bom Despacho. A língua é na verdade uma mistura de várias línguas de origem africana com o português. A gramática é a da língua portuguesa. O Bairro da Tabatinga era povoado apenas por pessoas negras e muito pobres, que mantiveram a cultura antiga. Hoje o bairro passou a se chamar Ana Rosa, a população alterou completamente, tendo os antigos moradores quase todos se mudado. A Língua não é mais falada, a não ser pontualmente em algumas frases ou palavras avulsas, inseridas em alguma conversação. Alguns estabelecimentos comerciais fazem uso de palavras da Língua da Tabatinga em seus nomes ou marcas. São exemplos: leite “Mavero”; Clínica Veterinária “Cambuá”; Pousada “Camunim”; Bar e Restaurante “Camberela”; Bar e Restaurante “Avura”.

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Curso de Manuseio e Utilização de Arma de Fogo

Curso_de_Manuseio_de_Arma

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Conceito de Cocota – veja o debate completo

Esta entrada é uma complementação da anterior, desta vez com o debate completo. Entre [   ] esclarecerei algumas expressões, para não ser misenderstood.

BENÍCIO


O CONCEITO DA PALAVRA “COCOTA”:

 

Eva Cabral escreveu
(21/04/2010):

Estava
vendo um programa na internet e escutei a palavra "cocota". Eu sempre
associei essa palavra a "vaidosa", mas parece que agora no Brasil (especialmente
entre os adolescentes) se usa como sinônimo de "menina galinha, que fica
com todo mundo". É isso mesmo???

Evanice

 

 Ana
Cabral
respondeu (21/04/2010):

Ish… dessa
vez você vai ter que perguntar pra ala dos abaixo de 21 anos. rsss…

Esses
termos costumam ser bem específicos de uma faixa etária. Além disso, já vi
algumas vezes, uma determinada expressão utilizada por adolescentes de São
Paulo com um certo significado e em Brasílai com outro…

Mas pra
mim, cocota tem o mesmo significado que tem pra você! Lembro-me que a Ru me
arrumava toda e dizia que eu estava uma "cocota"…

Será que
ela queria dizer que eu tava parecendo uma galinha??? uauuauaauauuaua…

Beijos!

 

Rafaela
Cabral
complementou (22/04/2010):

Hahahaaa….
Tô adorando a discussão….

Ana, como
eu sou menor de 21 vou responder… Cocota era utilizado como moça mesmo… não
necessariamente galinha… Mas hj com certeza, uma cocota, é uma menina
galinha. Bom, como tudo é relativo e depende de contexto, estou dando o
conceito que escuto no meu circulo de convivência…. Pode ser que em outros
estados possam ter outros significados sim… Mas acho difícil. Já vi algumas
pessoas falando no Fantástico (de outros estados) com esse significado que
estou dizendo. (Abafa a parte "eu vi no Fantástico"…. na verdade
foi um dia que eu estava passando perto da tv…e ouvi….por acaso…hahahahaaa)

Bjus!

Rafa.

 

Marcelo Cabral pôs seu comentário (22/04/2010):

Cocota
no meu tempo era uma mistura de filhinha de papai com galinhinha, ou as vezes
não era galinha mas como não dava pra mim eu chamava de galinha.

 

Eu esclareci, de forma
doutoral (22/04/2010):

A
palavra "cocota" é uma corruptela da palavra correta "cocote",
que quer dizer "cortesã" ou "prostituta". Essa palavra era
usada no Século XIX da mesma forma que se usa "puta" nos Séculos XX e
XXI. Como é que eu sei disso? eu andei lendo alguns livros do Machado de Assis,
do Aloísio de Azevedo e de outros realistas/naturalistas do Séculos XIX e
nessas obras você vai encontrar essa palavra (cocote) com bastante frequência.

Assim
que surgiu a corruptela "cocota", na década de 1970, eu percebi logo que
derivava de "cocote", mesmo porque a palavra mais usada era "cocotinha",
porque se tratava de uma cocote bem novinha (adolescente) . A redução de "cocotinha"
levou a "cocota". Mas tem um detalhe. Não significava
"prostituta", nem "galinha" nem "baranguinha" nem
"biscate". As cocotas eram as adolescentes de família classe
médio-superior (filhinhas de papai) que ficavam passeando nos pontos (point),
muito bem vestidas e enchiam a boca de nóis  [imitando os caipiras] pobres mortais de água (mas não
eram para meu bico).

Na
década de 1970 não existiam "shopping centers", mas sim cinemas e lanchonetes,
como na rua Tupis, no centro de Belo Horizonte, que era onde se juntavam, às
mancheias, as cocotinhas nos sábados e domingos. E nóis ia lá tipurá! [E nós íamos lá olhar!]

Foi
nessa época que inventaram a calça de cós muito baixo, tão baixo que mal tampava
a parte de cima da perseguidinha (me dava até arrepio, com meus 16 anos). Pelo
fato de TODAS as cocotinhas usarem essa calça ela acabou ganhando o nome de
"calça cocota cigarrete" (e não me perguntem de onde vem o
"cigarrete", que não tenho a mínima idéia).

É
isso. E pra quem provar que estou mentindo eu tiro o meu chapéu. Eu nasci há 10
mil anos atrás.

Essa
juventude é um espanto!!!!

BENÍCIO

 

Diva Jannotti escreveu (23/04/2010):

Cocota,
no meu tempo de adolescente, era menina bonitinha e gostosinha. Foi o que o
Benício disse. Calça cigarrete não tem nada a ver com cós baixo ou alto.
Ela tem a boca estreita e é usada ainda hoje.

 

Eu arrematei o
raciocínio (23/04/2010):

Obrigado
pelo esclarecimento.

Agora
tudo fecha 100%. Cigarrete é a que tem a boca estreita, provavelmente porque
lembra um cigarro de papéli. [imitando caipira] Deu certinho, pois era isso mesmo que acontecia.
Na segunda metade dos anos 1970 as meninas começaram a usar a calça com boca
muito apertada. Como a calça era "cocota", ou seja, de cós muito
baixo, ficou "cocota cigarrete", quer dizer "de cós baixo"
e "de boca afunilada".

Até
por volta de 1975 usavam-se aquelas calças "boca-de-sino" que costumavam
cobrir todo o sapato do freguês. Eu era apaixonado por esse tipo de calça, mas
para minha frustração a Dona Maria não fazia uma daquelas para mim. Acho que
ela pensava que era coisa de rípi [hippie] ou outra coisa que não presta.

BENÍCIO

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O que é uma Cocota?

Evanice Cabral, brasileira que mora na Espanha, perguntou:

Estava vendo um programa na internet e escutei a palavra "cocota". Eu
sempre associei essa palavra a "vaidosa", mas parece que a gora no
Brasil (especialmente entre os adolescentes) se usa como sinônimo de
"menina galinha, que fica com todo mundo". É isso mesmo???
Evanice

EU RESPONDI:

A palavra "cocota" é uma corruptela da palavra correta "cocote", que
quer dizer "cortesã" ou "prostituta". Essa palavra era usada no Século
XIX da mesma forma que se usa "puta" nos Séculos XX e XXI. Como é que eu
sei disso? eu andei lendo alguns livros do Machado de Assis, do Aloísio
de Azevedo e de outros realistas/naturalistas do Séculos XIX e nessas
obras você vai encontrar essa palavra (cocote) com bastante frequência.
Assim que surgiu a corruptela "cocota", na década de 1970, eu percebi
logo que derivava de "cocote", mesmo porque a palavra mais usada era
"cocotinha", porque se tratava de uma cocote bem novinha (adolescente). A
redução de "cocotinha" levou a "cocota". Mas tem um detalhe. Não
significava "prostituta", nem "galinha" nem "baranguinha" nem "biscate".
As cocotas eram as adolescentes de família classe médio-superior
(filhinhas de papai) que ficavam passeando nos pontos (point), muito bem
vestidas e enchiam a boca de nóis pobres mortais de água (mas não eram
para meu bico).
Na década de 1970 não existiam "shopping centers", mas sim cinemas e
lanchonetes, como na rua Tupis, no centro de Belo Horizonte, que era
onde se juntavam, às mancheias, as cocotinhas nos sábados e domingos. E
nóis ia lá tipurá! Foi nessa época que inventaram a calça de cós muito
baixo, tão baixo que mal tampava a parte de cima da perseguidinha (me
dava até arrepio, com meus 16 anos). Pelo fato de TODAS as cocotinhas
usarem essa calça ela acabou ganhando o nome de "calça cocota cigarrete"
(e não me perguntem de onde vem o "cigarrete", que não tenho a mínima
idéia).
É isso. E pra quem provar que estou mentindo eu tiro o meu chapéu. Eu
nasci há 10 mil anos atrás.
Essa juventude é um espanto!!!!
BENÍCIO

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A história da Caminhada do João Jiló

No corrente ano de 2010 a Caminhada do João Jiló ocorreu no dia 02 de abril (Sexta-Feira Santa). Encontrei o texto abaixo, que foi publicado em 2007 em alguns portais de Bom Despacho. Achei interessante colocá-lo aqui, para conhecimento de quem quiser saber a origem da Caminhada do João Jiló, que ocorre todos os anos na Sexta-Feira da Paixão. Este ano fizemos a 6ª (sexta) edição da Caminhada. Quem participou gostou.
Quero destacar que quando o texto abaixo foi publicado o Sérgio Cabral, meu irmão protestou, afirmando que o seu cachorro (dog alemão, ver na história) não pesava somente 30 Kg, mas sim cerca de 70 Kg (setenta quilogramas). Eu não imaginava que um cachorro podia pesar tanto.
BENÍCIO – Divinópolis, 13/04/2010

A CAMINHADA DO JOÃO JILÓ

A Caminhada do João Jiló, que agora estamos
realizando todos os anos, na sexta-feira da Paixão, começou por mero acaso.
Nós, irmãos e parentes, da Família Cabral, de Bom Despacho, sempre gostamos de
praticar diversos tipos de esporte, em particular corridas e caminhadas, como
tributo à saúde do corpo e do espírito.

Temos participado da Corrida de São
Silvestre, desde 2000 (onde já levamos uma faixa com o nome de Bom Despacho),
da Volta da Pampulha, desde a 2ª versão, da Corrida dos Carteiros, da Corrida
da Nextel, Caminhada da Inconfidência, Aniversário de Bom Despacho, Corrida da
Tabatinga e outras.

Morando em Belo Horizonte, vou sempre a Bom
Despacho, com minha mulher e minhas filhas, especialmente nos feriados. Dois
anos atrás estávamos em Bom Despacho na Semana Santa. Eu já conhecia, de mais tempo,
o atual trajeto da Caminhada, que por ignorância minha e confusão mnemônica, eu
estava certo que era de cerca de 10 quilômetros, ou seja, uma distância ótima para
uma caminhada sem compromisso. Convidei os meus parentes para fazermos essa
caminhada, a fim de aproveitar bem o feriado. No fim das contas, fomos apenas o
Sérgio, meu irmão, a Ordália, minha mulher e eu.

Ocorre que o Sérgio tinha na época um cachorro
da raça “dog alemão” e decidiu levar o cachorro. Esse cachorro não tinha
costume de caminhar, pois era cachorro criado em canil. Depois de poucos
quilômetros de caminhada o cachorro já começava a dar sinais de cansaço.
Tivemos que parar por causa do cachorro. Ao passar por uma fazenda um empregado
fez a gentileza de arranjar um balde e uma mangueira de água. Prosseguimos, mas
já com dificuldades.

Mais tarde começou a chover e, pelo tempo
transcorrido, percebemos que já havíamos andado mais de 10 quilômetros. Pensei
que havia me perdido e começamos a procurar o caminho de retorno. E
prosseguíamos na estrada e nada de retorno (posteriormente percebemos que o
retorno era muito mais longe e mais longo do que eu imaginava).

Aí começaram as bolhas nos pés, acabou nossa
água potável, o cachorro não sabia beber água de poça e nem de riacho e o pior:
ao chegarmos à ponte ele, de medo, se recusou a cruzá-la. E também não entrava no
riacho. O Sérgio foi então obrigado a carregar nos braços um cachorro enorme,
que devia pesar mais de 30 quilogramas, por dentro do riacho, com água até
quase até a cintura.

Mais ou menos por aí alguém se lembrou que
era Sexta-Feira Santa e que, pela história do João Jiló, não se podia realizar
obra nenhuma nesse dia. Daí para frente todos os reveses e dificuldades que
passamos até chegarmos em casa (e demorou muito…) debitamos à triste maldição
do João Jiló.

Para quem não conhece ou não se lembra do
João Jiló, quero informar que fui alfabetizado por meio da linda coleção “As
Mais Belas Histórias”. Lembro-me emocionado das histórias contidas naqueles
livros. Cada história mais linda que a outra. Todas com fundo educativo. Tinha o
Epaminondas, o Afilhado do Diabo, o Velho, o Menino e o Burro e, claro, a
história do João Jiló.

O João Jiló resolveu, contra todos os bons
conselhos da vizinhança, ir caçar na Sexta-Feira Santa. Como era de se esperar,
tudo deu errado na caçada do João Jiló. Mas ele insistia. Por fim conseguiu
caçar um galo. O João Jiló atirava e o galo gritava: “dói, dói, dói, João
Jiló”. O João Jiló levou o galo para casa, e ao escaldá-lo e depená-lo ele
gritava: “dói, dói, dói, João Jiló”.

Quando tentou cozinhar o galo, o bichinho,
todo depenado, saiu voando e gritando: “dói, dói, dói, João Jiló”. Ele voou até
a cúpula do altar-mor da Igreja da Matriz e lá pousou. Até hoje está lá. E
quando vai chover ele gira e aponta para o norte.

No ano passado estávamos novamente em Bom
Despacho na Semana Santa. Juntamos uma turma bem maior, de mais de dez pessoas
e fomos fazer a agora batizada Caminhada do João Jiló. Já tínhamos a verdadeira
medida, de 22 Km, tomada pelo Sérgio, com velocímetro de motocicleta. Todos adoraram
o passeio, sendo que algumas das meninas pediram socorro pelo celular, depois
de passarem pelo Cemitério dos Alemães, o que equivale a mais de 15 Km de
caminhada.

Daí decidimos fazer a Caminhada do João Jiló
todos os anos, na Sexta-Feira da Paixão. Não é preciso dizer que caminhar e
fazer outras atividades físicas é essencial para uma melhor qualidade de vida.
Já ficaram para trás aqueles tempos que se pensava que atividade física era
coisa para atleta.

Este ano a Sexta-Feira da Paixão cairá no dia
6 de abril. Sairemos do “S” da Praça da Matriz (em frente à Casa Paroquial), às
8:30h. Como vamos caminhar lentamente, pela heterogeneidade do grupo,
calculamos umas 5 horas de caminhada, desde a saída até a chegada, no mesmo
ponto.

 

Belo Horizonte, 21 de março de 2007.

BENÍCIO CABRAL

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Daltônicos: Falta de Padronização no Trânsito

Divinópolis, 25 de março de 2010.

 

Ao
Diretor do DENATRAN

Ministério
das Cidades

Brasília-DF

 

Senhor Diretor,

 

Não sei precisamente a quem dirigir esta
missiva, porém suponho que Vossa Senhoria possui a competência e as atribuições
legais adequadas para o caso. Sou daltônico e a questão do daltonismo vem me
preocupando desde a adolescência, quando descobri que possuo essa disfunção
visual. Recentemente recebi, pelo correio eletrônico, a remissão para uma
reportagem do sítio G1, sobre o problema dos daltônicos no trânsito, conforme
abaixo:

 

http://g1.globo.com/Noticias/Carros/0,,MUL1527656-9658,00-FALTA+DE+PADRONIZACAO+DAS+SINALIZACOES+PREJUDICA+DALTONICOS+NO+TRANSITO.html

 

Reportagem deveras interessante e bastante
instrutiva, como pouco se vê, tratando com seriedade a questão do daltonismo. A
leitura da reportagem me alertou para uma situação real, relacionada com o
trânsito, pela qual passei recentemente, que considero de uma certa gravidade e
me motivou a escrever esta carta. Note que o título da reportagem acima é
“Falta de Padronização das Sinalizações Prejudica Daltônicos no Trânsito”. É
precisamente disso que vou tratar.

Sou residente no Estado de Minas Gerais e
ainda no mês de janeiro do corrente ano eu retornava das férias no Espírito
Santo, pela rodovia BR-262, quando passei pela cidade de Manhuaçu, situada
próxima à divisa de Estados. Devo comentar en
passant
que considero um completo absurdo uma rodovia passar dentro da área
urbana de uma cidade, como é o caso de Manhuaçu, pondo em risco as suas
crianças e residentes em geral e causando transtornos para os viajantes. Pois
bem, nesse trecho urbano da BR-262 existe um semáforo em um cruzamento com uma
rua local. Ali está o problema e o perigo.

Desde sempre escutei dizer que os sinais de
trânsito possuem uma padronização, que no caso dos semáforos se trata de uma
regra única de posicionamento das cores. Na prática sempre confirmei essa
informação, sendo certo que conheço quase todo o Brasil e mesmo alguns países
estrangeiros. A regra, que aprendi intuitivamente, sem ninguém me ensinar, é:
no semáforo vertical o vermelho está no alto e o verde embaixo; e no semáforo
horizontal o vermelho está à esquerda e o verde à direita.

É preciso esclarecer para os não-daltônicos
que apesar de eu “enxergar” e “conhecer” o vermelho, o verde e o amarelo, não
posso nunca me fiar nesse conhecimento, pois ele muitas vezes é ilusório e
elusivo. Melhor me fiar na posição das cores, que é o que sempre faço,
automaticamente. Ocorre que esse semáforo existente na BR-262, dentro da cidade
de Manhuaçu está com as cores invertidas, o que pode levar um daltônico a
cometer um acidente.

O referido semáforo é daqueles horizontais.
Sendo assim, o vermelho deveria estar à esquerda e o verde à direita, mas na
verdade está invertido. Não houve maiores problemas, no meu caso, porque havia
mais de um carro na minha frente, ao chegar ao semáforo. Quando os carros da
frente pararam, eu estranhei e comentei com minha mulher que os motoristas
estavam parando no sinal aberto, e ela imediatamente contestou que não, que o
sinal estava vermelho. Fiquei abismado, pois fora a primeira vez na minha vida
que vi a luz vermelha do lado direito. É possível que eu tivesse avançado o
sinal fechado, se estivesse na frente, pois se a luz da direita está acesa,
para mim significa sinal aberto. Observe-se a gravidade da situação.

Para um daltônico, que nunca sabe ao certo se
a cor que está vendo é verde ou vermelha, os semáforos poderiam ter todas as
luzes brancas, que não faria diferença. O que importa é o posicionamento da
lâmpada que acende. A isso se chama PADRONIZAÇÃO, que faltou no cruzamento da
cidade de Manhuaçu-MG.

Ainda sobre os semáforos, devo dizer que os
antigos, que parecem um farol, são péssimos para identificação por um
daltônico. Além das luzes serem muito fracas, nunca consigo saber se estou
vendo verde ou vermelho. É certo que para mim, que sofro de protanopia (veja a
reportagem), a cor vermelha é sempre a mais fraca de todas, a mais apagada. Já
os semáforos mais novos, feitos de um conjunto de “led”, são muito melhores, em
todos os aspectos, ao contrário do que afirma a reportagem. Nos semáforos de
“led” o vermelho tem um aspecto mais escuro e o verde é muito claro, sendo
confundido com a luz branca. Dessa forma eu sei que se a luz é escura,
significa cor vermelha e se a luz é “branca” significa cor verde.

No caso de Manhuaçu-MG não sei a
responsabilidade pelo semáforo é federal ou municipal, tendo em vista que se
trata de uma rodovia federal (BR-262) cruzando um logradouro municipal.

Sugiro e solicito providências para corrigir
o problema a fim de se evitarem acidentes rodoviários com daltônicos que trafegam
naquela via. E mais, que se transmitam alertas a todos os municípios do país, a
fim de que padronizem o posicionamento das cores nos semáforos, caso haja
outros casos semelhantes. Além disso, como corretamente afirma a reportagem, o
semáforo horizontal é mais problemático, apesar de também possuir regra de
posicionamento.

 

ANTÔNIO BENÍCIO DE CASTRO CABRAL

CPF 152.458.701-00

Divinópolis-MG

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